Em oposição a esse sistema, o conceito de Economia Circular propõe que o valor dos recursos que extraímos e produzimos seja mantido em circulação através de cadeias produtivas intencionais e integradas.

O destino final de um material deixa de ser uma questão de gerenciamento de resíduos, mas parte do processo de design de produtos e sistemas. A ideia é eliminar o próprio conceito de lixo: enxergar cada material dentro de um fluxo cíclico, possibilitando sua trajetória DO BERÇO AO BERÇO – de produto a produto, preservando e transmitindo seu valor.

Dessa forma, o crescimento econômico se dissocia do consumo crescente de novos recursos, possibilitando o aproveitamento inteligente dos recursos que já se encontram em uso no processo produtivo.

Princípios:
1) Preservar e Aumentar o Capital Natural.

A natureza sustenta toda a vida humana. Utilizamos o termo “capital natural” para reforçar a ideia de que a vida não-humana é responsável pela produção de recursos essenciais para a economia; não são apenas as atividades humanas que geram valor. Daqui decorrem duas ideias essenciais: quando a produção de bens e serviços tem como consequência a destruição dos ecossistemas (pensemos na poluição de um curso de água por uma fábrica têxtil, por exemplo), então é a própria vida humana que está a ser destruída – sobretudo a das gerações futuras, às quais vai faltar esse capital natural. Para assegurar a preservação do capital natural, há que penalizar as atividades destruidoras da natureza e promover aquelas que interferem o menos possível com o equilíbrio dos ecossistemas. Por outro lado, uma vez que as atividades produtivas humanas dependem do capital natural, ao reforçarmos os recursos naturais estamos a reforçar o potencial de crescimento sustentável da nossa economia. Por exemplo: a prática intensiva da monocultura degrada os solos. Reforçar a saúde dos solos equivale a trabalhar para a nossa própria segurança alimentar. Investir na natureza é investir numa economia saudável e resiliente.

2) Otimizar a Produção de Recursos

Fazer circular produtos, componentes e materiais no mais alto nível de utilidade o tempo todo, tanto no ciclo técnico quanto no biológico.

Isso é sinónimo de projetar para a remanufatura, a reforma e a reciclagem, de modo que componentes e materiais continuem circulando e contribuindo para a economia.

Sistemas circulares usam circuitos internos mais estreitos sempre que preservam mais energia e outros tipos de valor, como a mão de obra envolvida na produção. Esses sistemas também mantêm a velocidade dos circuitos dos produtos, prolongando sua vida útil e intensificando sua reutilização. Por sua vez, o compartilhamento amplia a utilização dos produtos. Sistemas circulares também estendem ao máximo o uso de materiais biológicos já usados, extraindo valiosas matérias-primas bioquímicas e destinando-as a aplicações de graus cada vez mais baixos.

3) Fechar os Ciclos

A ideia de ciclo está no coração da economia circular. Em vez de exigirem repetida extração de recursos naturais e de gerarem resíduos, a produção e o consumo deveriam ser, tanto quanto possível, autossustentáveis. Por outras palavras, os ciclos económicos deveriam ser, tanto quanto possível, fechados. Num ciclo económico (tendencialmente) fechado, o desperdício não existe: os bens são reparados e reutilizados em vez de descartados, as matérias-primas provêm da reciclagem em vez da extração, e assim por diante.

4) Fomentar a Eficácia do Sistema

Revelar as externalidades negativas e excluindo-as dos projetos.

Isso inclui a redução de danos a produtos e serviços de que os seres humanos precisam, como alimentos, mobilidade, habitação, educação, saúde e entretenimento, e a gestão de externalidades, como uso da terra, ar, água e poluição sonora, liberação de substâncias tóxicas e mudança climáticas.

5) Promover um novo paradigma social

A economia circular, como a economia em geral, é menos uma questão de gestão e de cálculos do que de relações sociais, atitudes e desejos. A transição para a economia circular não se fará sem mudanças fundamentais de comportamento e de modos de pensar. Ser utilizador em vez de consumidor, partilhar em vez de acumular – estas novas (e velhas) formas de estar no mundo estão na base da construção de uma economia circular, e envolver a sociedade é fulcral.